Esperança Quando Tudo Parece Perdido: Gaza, Oração e a Necessidade Humana de Milagres
Dois milhões de deslocados, sem escolas, sem abrigo, desnutrição severa — e uma agência papal ainda atuando no terreno. O que o trabalho psicossocial da CNEWA em Gaza revela sobre a arquitetura da esperança quando a vida ordinária desmorona.

Michael La Civita, diretor de comunicações da Associação Católica de Bem-Estar do Oriente Próximo (CNEWA), recorreu a uma única expressão para descrever Gaza em junho de 2026:um estado permanente de espera. Com mais de dois milhões de pessoas deslocadas, casas destruídas, sem escolaridade, sem comércio e com acesso muito limitado a água potável ou alimentos, o lugar tornou-se, ele disse ao EWTN News Nightly, 'muito silencioso, quieto e sombrio.'
Essa expressão merece ser contemplada com calma. Ela não é meramente logística. Ela nomeia algo que a pessoa humana experimenta como uma ferida: a suspensão da orientação para o futuro — a sensação de que o amanhã não será significativamente diferente do hoje.
O que a pessoa necessita e que o pão sozinho não pode oferecer
A desnutrição grave afeta crianças, mães grávidas e idosos. A hepatite A e outras doenças ligadas ao saneamento precário representam ameaças concretas. O casamento infantil foi relatado em outras partes da região à medida que o desespero econômico aumenta, e La Civita reconheceu que as condições tornam isso imaginável também em Gaza. 'A situação econômica lá é bastante horrível', afirmou.
Uma privação material tão total vai além de ameaçar o corpo. Ela desestrutura as condições necessárias para a agência, para o tempo com sentido, para a percepção de que as próprias escolhas importam. O entendimento católico da pessoa humana — um todo unificado, racional, relacional, corpóreo e ordenado para a transcendência — implica que, quando as estruturas da vida ordinária entram em colapso, a vida interior também fica em risco.
É por isso que o trabalho mais importante da CNEWA pode ser o que La Civita descreveu como apoio psicossocial: para crianças, idosos, populações vulneráveis e suas famílias. A organização, fundada pelo Papa Pio XI em 1926, atua por meio de redes eclesiais que permaneceram presentes ao longo de todo o conflito. Essa presença sustentada não é algo acidental. A pesquisa sobre trauma identifica consistentemente a continuidade relacional percebida — alguém ainda aqui, ainda cuidando — como um dos fatores protetores mais poderosos contra danos psicológicos de longo prazo.
A esperança não é otimismo
C.S. Lewis observou que o consolo não pode ser encontrado ao buscá-lo diretamente — somente ao buscar algo verdadeiro e receber o consolo como consequência. A mesma lógica se aplica à esperança. O otimismo calcula probabilidades. A esperança se orienta para um bem que supera as evidências presentes. Não se trata do mesmo movimento.
O que os colaboradores da CNEWA oferecem, ao permanecerem presentes em condições que não apresentam saída fácil, é uma realização viva do segundo tipo. O Papa Leão XIV, renovando seu apelo por assistência humanitária em Gaza no dia 26 de maio, escolheu a palavraacompanhamento— presença sustentada junto a alguém em sua espera. Essa palavra faz um trabalho real. Ela nomeia o que torna a esperança transmissível entre as pessoas: não a jovialidade, não a tranquilização, mas a recusa de partir.
O que aqueles que estão longe podem fazer
Para as pessoas distantes de Gaza que sentem o peso daquilo que não podem resolver, La Civita foi direto: 'Católicos e outros cristãos podem, antes de tudo, orar.' Isso não é um prêmio de consolação para quem não tem recursos. A oração, no entendimento católico, é ação real — ordenada àquele de quem provém toda ajuda verdadeira e capaz de mover o que a logística humana não consegue alcançar.
Além da oração, a CNEWA recebe doações que chegam diretamente às redes eclesiais que atuam dentro de Gaza, financiando cuidados médicos, apoio psicossocial e socorro de emergência. O apoio financeiro à distância tem um efeito local concreto: mantém os trabalhadores em campo, os suprimentos disponíveis e a continuidade relacional da qual as pessoas vulneráveis dependem.
Compartilhar informações precisas também é importante. As condições descritas por La Civita — a dimensão do deslocamento, a desnutrição, o custo psicológico — não são amplamente compreendidas. Falar sobre elas com especificidade, em famílias, paróquias e comunidades, sustenta a atenção social que torna a resposta política e humanitária mais provável.
Nenhuma dessas ações resolve a crise. Mas elas recusam a postura de espectador impotente, que é em si mesma uma forma de desespero. As crianças que hoje recebem apoio psicossocial por meio dos parceiros da CNEWA são os jovens adultos que reconstruirão Gaza — não apenas sua infraestrutura, mas sua vida interior. O que eles levarão consigo dependerá, em parte, de se o mundo mais amplo permaneceu presente ou desviou o olhar.
O apelo ainda está aberto.
Fonte: EWTN News, com base em declarações de Michael La Civita, CNEWA, 2 de junho de 2026.